CRÓNICAS
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Copyright © 2003-2006 João Pedro Mota Oliveira. Todos os direitos reservados
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Drogados e Rigorosos
I - Grande droga!
VOU, COM FREQUÊNCIA, a uma terra que tem pretensões a destino turístico de qualidade mas onde os passeios estão pejados de automóveis. Ora, face a esse problema - que torna a vida dos peões um verdadeiro inferno -, o que é que fez a autarquia, quando reconheceu ser impotente para impôr a legalidade?

Foi muito fácil: afixou, nos sítios mais problemáticos, placas autorizando o estacionamento nessas condições!

Vem isto a propósito da intenção, anunciada pelo Ministro da Justiça, de ser o próprio Estado a promover a troca de seringas nas prisões - reconhecendo, pois, que a droga circula com facilidade naquilo que é suposto serem os locais mais vigiados do país.

Já se percebeu, portanto, que Alberto Costa decidiu fazer como Rui Rio com os "arrumadores": «já que não se consegue evitar, então que seja como deve ser!», aplicando uma teoria que anda de-braço-dado com a que defende que «se não se consegue combater uma ilegalidade, decreta-se que deixa de o ser» .

No fundo, uma ingénua esperteza que, por sinal, até beneficia de jurisprudência - desde que Jorge Sampaio, para evitar os incómodos que a aplicação da lei por vezes acarreta, fez o mesmo com os toiros de morte de Barrancos...
II - Rigorosa... mente

RECENTEMENTE, o Governo precisou de uma eternidade e de algumas tentativas para saber ao certo quantos funcionários públicos existem.
Todavia, aquando da greve da função pública, foi capaz de anunciar, em três tempos, que a percentagem de aderentes fora de 11,74% (num dia) e de 14,07% (no outro) - um rigor até às centésimas que todos devíamos saudar!

Por sinal, fez-me recordar um director de uma empresa - que eu em tempos conheci - que, face aos orçamentos que lhe preparavam, dava sempre uns retoques, transformando, por exemplo, cem mil contos em 100.000.000$10.

Dizia ele que, procedendo assim, mostrava como era rigoroso, e nunca ninguém teve coragem de lhe contar como era alvo de chacota dizendo-se, entre os clientes, que padecia do caricato "Centesi Mal"...

Por: Medina Ribeiro
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