Imagine-se que, quando rebentou o escândalo da Casa Pia, tivessem vindo a terreiro Santana Lopes ou o Governador Civil de Lisboa bramando que se tratava de uma invenção dos jornalistas para desacreditar a cidade.
O absurdo ficcional pode subir de tom se imaginarmos Durão Barroso ou Jorge Sampaio a dizerem que se tratava de uma campanha contra o continente, lançada pela imprensa, típica de um período pré-eleitoral, etc.
Pois é uma opinião desse género a que o Dr. Alberto João Jardim expressa sempre que alguém aventa a hipótese de haver casos de pedofilia na Madeira - onde, pelos vistos, o padre Frederico nunca viveu.
Mas como pode ele garantir culpas ou inocências se não é investigador? E por que fala em tom defensivo se nem ninguém o acusa de nada?
O certo é que é muitas vezes difícil levar a sério o que ele diz, e até dá a ideia de que cultiva essa imagem-de-marca de pessoa divertida e desbocada.
Mas o problema da eventual pedofilia na Madeira veio ao meu espírito por associação de ideias na sequência de várias notícias envolvendo jovens:
Soube recentemente que a lei portuguesa não proíbe a venda de crianças; que uma pessoa arguida de crime sexual pode ser deixada em sossego a troco de dinheiro (por €10 000, Herman José poderia ter deixado de ser arguido); que os estudantes de Guimarães que meteram atestados falsos podem livrar-se de sarilhos a troco de €100, e por aí fora.
Desculpar-me-á o Dr. Alberto João Jardim mas, quando oiço coisas dessas, vem-me sempre à mente o plebeísmo «Já chegámos à Madeira?!»