Alfred Marner escovava vigorosamente o equipamento de montar que jazia sobre um banco logo à entrada do estábulo. Parou um instante apenas para raspar um pouco de lama do estribo e lançar um rápido olhar de desconfiança ao sargento Graham e imediatamente se debruçou sobre o banco para continuar a sua tarefa com redobrado vigor.
"Mr. Porteaus é uma pessoa muito esquisita", disse ele em ar de desculpa. "Um patrão muito exigente e miudinho ... Normalmente tenho tudo isto limpo antes do almoço, mas com toda esta confusão de hoje ... "
Parou de falar o tempo suficiente para que o inspector Carter tivesse a oportunidade de o questionar: "Quer dizer que você conhecia a rapariga, Jessica Peters, mas que não a viu quando você veio da aldeia para aqui, hoje de manhã ... é isso?"
Marner resmungou e explicou que tinha saído de casa por volta das 11 e tinha vindo pelo caminho da mata como era hábito. Tinha chegado à propriedade de Miles Porteaus 45 minutos depois. O patrão tinha regressado do seu matinal passeio a cavalo por volta do meio-dia e um quarto.
Logo que os dois detectives abandonaram o estábulo ainda viram o Marner levantar-se do banco e varrer de imediato a impecavelmente limpa soleira da porta do estábulo. Miles Porteaus, pensou Graham, era sem dúvida um homem muito miudinho e exigente.
o terceiro homem que tinha estado na mata nessa manhã era Tom Dawson, um escritor da cidade que tinha alugado uma pequena vivenda perto da aldeia. Tinha entrado atabalhoadamente na esquadra da polícia local para dar conta da tragédia e guiar o chefe da esquadra até ao local do assassínio.
Arranhões profundos
"É uma pena que aquele patudo tenha pisado isto tudo sem deixar nada que se veja", murmurou Carter. A rapariga tinha sido estrangulada à beira de um pequeno pantanal por volta das 11.30 horas e rolado até uma zona de mato denso, agora completamente espezinhado.
"É verdade, tenho a impressão que os polícias daqui não se preocupam nada com essa coisa das pistas", comentou o Dawson enquanto os três de dirigiam para a casa dele. "Estive fora de casa desde as 10 horas e quase tropecei na pobre Jessica quando regressava acasa, cerca das 12h30".
Viu o sargento a olhar para alguns arranhões profundos na sua mão direita e apressou-se a explicar: "Fiz isto quando afastei os cardos para ver quem era que tinha encontrado".
Recostou-se na cadeira e pôs os pés sobre uma pequena banqueta. O atento sargento não deixou de notar o ar novinho em folha das solas dos sapatos.
"Andou toda a manhã com esses sapatos?" perguntou.
Dawson resmungou, retraiu-se e descalçou-se de imediato. "Porque é que hei-de continuar a sofrer?" comentou. "Os sapatos novos matam-me".
Caluda!
De regresso à quinta de Miles Porteaus, o inspector mostrava um ar de intensa perplexidade. Com uma surpreendente eficácia, a polícia local tinha descoberto que tanto o Dawson como o Porteaus disputavam vigorosamente entre si a "posse" de Jessica Peters.
"Algum dos dois a deve ter encontrado, levou "sopa" - e matou-a", sugeriu o sargento Graham que se calou de imediato face ao olhar feroz que o inspector lhe lançou.
Porteaus, um celibatário no princípio dos quarenta, pouco ou nada acrescentou à sequência dos acontecimentos, tinha saído a cavalo por volta das 10h30 e regressado um quarto de hora depois do meio-dia. À porta do estábulo estava o Marner que o tinha ajudado a desmontar.
Reagiu violentamente quando Carter sugeriu que talvez tivesse encontrado a rapariga. "Diabos o levem, homem!" explodiu. "Montei a cavalo aqui à porta do estábulo e só desmontei quando cá cheguei!''
"Bem, sargento?" disse Carter quando ficaram sós. "Um dos três mente descaradamente - mas nós temos um suspeito. Não temos, sargento?"
De quem desconfia o inspector Carter?